Quem é o Xamã

O Xamã é a águia que viaja entre as dimensões

Para que entendamos o Xamanismo como fenômeno é preciso que nos aprofundemos na figura central desse movimento: O Xamã. A prática mística surge no bojo da formação da humanidade. Frente às necessidades da vida – doenças, medos, provisão de comida, etc. ̶ a humanidade contava com a ligação com a natureza para tal. Aqueles abençoados com um nível mais forte de ligação com a Natureza começaram a, organicamente, guiar suas comunidades. Essa ligação foi se sofisticando e técnicas de cura foram surgindo e se consolidando. Uma boa parte dessas técnicas se utiliza da alteração perceptiva da realidade, ou alteração de estado de consciência, ou ainda, o transe.

Milênios mais tarde, a ciência chamada Antropologia passa a estudar os fenômenos culturais e se debruça sobre as práticas espirituais dos povos, especialmente as comunidades tribais, como forma de estudar a construção desse fenômeno. O estudo dessas praticas, que remonta o paleolítico, começou a apontar muitos paralelos entre diversas comunidades nos diversos continentes do globo. Convencionou-se chamar Xamanismo a esse bojo de práticas espirituais e de cura.

O Xamã, a figura inspiradora do xamanismo, é esse praticante que, a partir do transe, alcança outras dimensões e realiza curas. Ele, muitas vezes é a cola espiritual de sua comunidade, protegendo-a das mais influencias espirituais. Um individuo que passando por seu processo de reconexão (morte e renascimento) entra em comunhão com os ensinamentos ancestrais. Passando a ser um mensageiro de “outros mundos”, de “novos” conhecimentos… Utiliza-se de técnicas de êxtase para realizar viagens estáticas (estados alterados de consciência); conhece o poder das plantas – pedras e seres da natureza; animais de poder / guardiões, espíritos ancestrais, instrumentos de poder (toque de tambor e maracás)…É um especialista na cura da alma e do corpo, pois reconhece, a partir de sua própria iniciação, a importância do conhecimento que lhe foi entregue.